Tche tu já tinha sumido da minha vida!! Eu já tinha me
acostumado com a tua ausência, e me acostumado ao fato de tu só vir me procurar
por conveniência. Eu já tava ciente que tu ia embora, tanto da cidade como da
minha vida. Mas mulher é fogo né. E eu sou bicho burro! Muito burro! Tao burro
que fui te procurar. E te procurando descobri logo o que me faria a pessoa
talvez mais feliz do mundo: tu não ia embora, nem da cidade nem da minha vida,
por que tu ia voltar. MAS QUE MERDA! Logo agora que eu achei que podia ir viver
minha vida, que ia parar de pensar em ti, e principalmente parar de comparar os
guris com quem me relaciono contigo (e perceber que nenhum era suficientemente
bom pra ocupar teu lugar). Toda minha perspectiva de futuro se esvaia em: “eu
volto daqui uns dias”. E agora? Como esquecer todas as coisas que tu já tinha
feito, a começar pelas que tu nunca nem fez? Como ocupar as noites de agonia e
de ansiedade em te rever? Eu tava louca de saudade! Louca de saudade de ir pra
cama contigo. Louca de saudade de ficar falando besteira contigo. E olha que
(infelizmente?) nosso “relacionamento” se reduzia a sexo apenas (e se só sendo
sexo já é assim, não quero nem pensar se envolvesse outros sentimentos, das
duas partes).
Enfim. Tu ia voltar. E meu pensamento, BURRO, já começou a
imaginar mil planos pro nosso reencontro. E meu coração, BURRO, já começou a
arquitetar sentimentos de que talvez tu fosse começar a gostar de mim da
maneira que te gosto, que talvez tu visse o valor que eu tenho pra ti e que
quem sabe até poderíamos começar a namorar. Mas não. Nosso encontro não foi um
mar de rosas. Não foi um jantar a luz de velas. Não foi nem um prêmio de
sorteio para uma noite no motel mais chique da cidade. Foi lindo, mas foi
cruel. Foi lindo por que te ver correr atrás de mim, em meio a confusão que eu
me meti, era merecedora de uma cena de novela. E foi cruel por que as palavras
que tu me trocou no dia seguinte superaram a qualquer ato ruim que já tenham
feito a crianças ou animais. Eu me recuperei no dia seguinte a uma festa open
bar com uma dor forte e a sensação de não ter o chão embaixo dos pés. E a dor não
era de cabeça, tao menos a sensação de não ter o chão devido a náusea. Eu tava
com dor no peito, no coração pra ser mais exata. Era ressaca, mas ressaca de
amor!
E como pode amor e ódio serem tao ligados? Como pode o mesmo
amor que constrói o início e fantasia histórias lindas relembrando as cenas
vividas, bater com a realidade dura e fria na sua cara e destruir com tudo que
tudo que havia sido feito? E já fazem 2 dias que essa ressaca dura. Eu não tava
preparada pro fim. Entende? Eu não tava preparada pra chorar esse oceano
Atlântico que eu já chorei. Mas aquele era o fim. E não o “nosso fim”, mas sim
o MEU FIM. O meu fim em acreditar que tu ia mudar, o meu fim em fantasiar
possíveis recomeços contigo, o meu fim em me iludir com a tua presença e os
teus “sinais”, o meu fim de te querer, até pra sexo, o meu fim pro amor que eu
construí por ti. E por ser o fim do amor era triste, por que a crueldade não
está na raiva e no ódio. E sim na indiferença. Indiferença essa que tu já mais
do que demonstrou por mim. E que agora eu vou começar a demonstrar por ti.
Não vou me iludir com fatos nem enumerar promessas. Pode ser
que um dia a gente retorne a se encontrar. Quem sabe? Mas por agora não. Por fim,
este é o meu fim pra ti.