É ruim pensar no fim. No que ficou e não foi. Do que foi e não ficou. Achei que esse dia nunca chegaria, mas chegou. E me pego aqui inconformada, perdida, num misto de sentimentos que eu nunca vou saber explicar. Tentei negar, tentei omitir, mas não deu, meu bem. O o que eu faço agora?
O dia do fim chegou e com ele veio toda a tristeza que eu evitei pensar. Agora não adianta querer tentar voltar atrás, ver onde errou e de quem era a culpa, nem tentar fantasiar uma outra versão. O fim chegou e com ele chegou a dor, o medo, a saudade. Chegou a certeza de que tudo que eu fingi ser mentira esse tempo todo escorreu pelo ralo, e eu não posso abrir a tampa e puxar com a mão. Chegou tua ausência e tua lembrança, e se passou um filme na minha cabeça. Um filme sem mocinho sem bandido, sem início meio e fim. Chegou teu cheiro no cobertor, o calor do olhar e o gosto do beijo. Chegou a insegurança, a indiferença e a raiva. Chegou as manhãs que eu acordava chorando e as noites que íamos dormir juntos. Chegou uma vida toda resumida em 2 segundos: o teu olhar sobre mim e o meu olhar sobre você.
Mas o fim chegou. E a dor também. A dor de não te ter por perto, de não ter o controle (que eu nunca tive, mas podia ter) sobre você, a dor de não ter ver no canto do boteco com o copo de cerveja na mão, de não te ver sentado embaixo das árvores no campus na folga do almoço, de não acordar e ver teu rosto sereno dormindo tranquilo. É uma dor tão forte que não desejaria nem ao meu pior inimigo, é como se eu nunca mais pudesse ser feliz novamente, como se essa vida toda que se passou nesses últimos anos não serviram de nada, como se eu pudesse vomitar meu coração e continuaria doendo.
Hoje no primeiro dia do fim me vesti de luto. Escutei músicas tristes, li textos de coração partido. Hoje no primeiro dia do fim a realidade me caiu a cabeça e aceitei o fim. E li que para melhorar a dor era necessário escrever. Então eu vou escrever, sobre eu, sobre você. Sobre o "nós" que nunca existiu. Mas sobre esse coração que nunca foi de ninguém e hoje é teu...até que o jardim floresça de novo. Por que depois das tempestades e do cinza do inverno, chega a primavera com sua calmaria.
E que assim seja.
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