domingo, 2 de junho de 2013

diz que é amor

- Então é isso o amor? – disse um homem moreno, alto, com maxilar marcado e trajes clássicos, que estava sentado de fronte a TV do bar, enquanto tomava seu drink abrasileirado com uma bebida europeia qualquer.
- Não sei...- disse a mulher que sentava-se a frente dele. Loira de vestido preto, com salto que fazia ela quase da mesma altura que ele.
- Como não sabe?! – indagou ele novamente.
- Não sabendo ué. Diz que quando é amor a gente simplesmente sabe...
E saiu a bela moça com destino ao banheiro. Lá ela abriu a bolsa e tirou um batom vermelho que destacou o belo sorriso de seus lábios finos. Ajeitou o cabelo num penteado mais sensual e endireitou o “tubinho” preto que salientava todas as curvas também belas de seu corpo.
Enquanto ela se produzia rapidamente no banheiro  - como o que toda mulher faz ao ir ao banheiro- ele ficou lá, de olhar fixo na TV, acompanhando cada passe do jogo de futebol. Era um jogão, diziam no bar, o mais esperado da temporada. Mas naquela mesa, na mesa 8 do Bar Caribe, ele não era um homem no assistindo um jogo de futebol sozinho. Era um que levou a mulher para jantar.
“Goooool”, gritaram no bar. Foi o tal do Neymar que fez o gol. Mas tanto faz. Por que a essa altura, vinha ela do banheiro. O cabelo loiro dourado como raios de sol no fim da tarde, esvoaçando contra a brisa que fazia quando ela caminhava e enquanto ela levemente jogava ela para o lado direito – como se todo tempo que ficara no banheiro não tivesse sido suficiente para se “empiriquitar”. O batom vermelho perdia um pouco do seu tom escuro enquanto ela suavemente mordia o lábio inferior. O som que o salto do sapato alto, que ela usava, fazia quando ela pisava, e o perfume doce suave enlouquecedor, simplesmente desviaram toda atenção do gol mais esperado da partida, para ela. E de repente o jogo perdeu sua importância. “Quem é ela? Onde estava? Tu viu ela entrar no bar?” – todos se perguntavam.
E o mulherão que deixou todos marmanjos de boca aberta se sentou na mesa 8, junto ao rapaz de trajes clássicos que assistia o jogo sem muita vibração.
- Já pagou? – disse ela.
- Sim. Vamos? – respondeu ele.
E os dois levantaram-se da mesa 8 do Bar Caribe e se dirigiram a porta. Enquanto o jogo, voltava a ser o jogo novamente. Do lado de fora do bar, ele diz a ela:
- Acho que sei.
- Sabes o que, querido? – responde a mulher.
- Acho que sei aquilo que tu não sabias me responder mais cedo.
- E qual a resposta? – indaga ela.
- Eis que é verdade, não se pode definir o amor, apenas sentir. E o que eu sinto é que te amo.

Então abriu-se um sorriso em tom vermelho rosado que foi calado pelo som do salto que o sapato que a mulher, loira de vestido preto, fazia. E, agora, de mãos dadas, os dois seguiram o caminho.

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