
Mesmo antes de eu nascer, já tinha alguém torcendo por mim. Tinha gente que torcia para eu ser menino. Outros torciam para ser menina.
Torciam para puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai. Estavam torcendo para nascer perfeito! Daí continuaram torcendo...
Torceram para que eu fosse um bebê comportado. Torceram para que eu não chorasse de madrugada e continuaram torcendo para que me achassem o bebê mais lindo. Torceram para eu ficar cheirosa e ficar bonita nas roupinhas. E torciam para eu parar de pegar tudo com as mãos.
Torceram pelo meu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo, e minha irma só torcia para que eu parasse de puxar seus cabelos e detonar com as bonecas dela.

O meu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E a primeira nota alta então? Torciam para eu parar de roer unha, para eu começar a ter um pouco mais de vaidade. Torciam para eu cortar o cabelo, e continuavam torcendo para eu não aprontar mais. E, de tanto torcerem por mim, eu aprendi a torcer.
Comecei a torcer para ganhar muitos presentes e flagar o Papai Noel. Torci o nariz pra cenoura e beterraba. Mas torci por batata frita e coca-cola.
Comecei a torcer até para um time. Provavelmente , nesse dia, eu descobriu que tem gente que torce diferente de mim.
O pai e a mãe torceram pra eu comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, não brigar na escola, e principalmente para eu não correr nos corredores. As pessoas só torciam pra eu ser uma pessoa bacana.
Minhas amigas torciam para eu fazer piadas e falar palavrão. Elas também estavam torcendo pra eu ser bacana. Nessas horas, eu só torcia para não ter nascido. E por não saber pelo que eu torcia, torcia torcido. Enquanto o pai e a mãe torciam para que eu não falasse palavrão, não quisesse por piercings e que eu tentasse mudar o meu grupo de amigos.
Torci para os outros irmãos que vieram com o tempo se ferrarem, torci pro mundo explodir. Torci o pé quando corri na escada e quando os hormônios começaram a torcer, torci pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso.
Depois comecei a torcer pela minha liberdade. Torci para ser boa nos esportes, para que eu tivesse uma boa voz e ser cantora. Torci para viajar com a turma, ficar até tarde na rua. E a mãe só torcia pra q eu chegasse vivo em casa.
Passei a torcer o nariz para as idéias dos professores e para qualquer opinião do pai e da mãe. Todo mundo queria era só torcer o meu pescoço.
E foi quando eu comecei a torcer pelo meu futuro. Torci para ser médica, na dúvida, torci para apenas terminar o ensino médio. Torci para nãp precisar fazer nada, torci para não precisar voltar pra casa. E todo mundo torcia pra passar logo essa fase.
Até que eu decidi de vez ser médica e torci ter feito a escolha certa. E hoje em dia, uma grande torcida se formou...
Vizinhos, amigos, família e todos os Santos torcendo mim. Enquanto eu só torço para passar de vez os vestibulares e reunir a torcida para comemorar a aprovação em fevereiro!
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